Valle Sagrado dos Incas: Como é o Passeio?

Quer conhecer as grandes ruínas agrícolas de Cusco? Say no more! O seu destino é o Valle Sagrado dos Incas! Com ótimas condições geográficas e climáticas, o Valle Sagrado foi um dos principais pontos de produção agrícola do Império Inca.


Tour Valle Sagrado dos Incas

O tour do Valle Sagrado dos Incas é feito durante um dia inteiro e para realiza-lo é necessário adquirir o Boleto Turístico de Cusco. Não sabe o que é o Boleto Turístico? Relaxa… Explico tudinho aqui!

O tour começa bem cedo saindo da Plaza de Armas e acaba apenas no final da tarde. A rota clássica do tour visita seis locais: Pisac, Chinchero, Moray, Salineira de Maras, Ollantaytambo e Urubamba.

Mas, caso seja preciso, o passeio pode ser moldado de acordo com suas necessidades, basta combinar com a agência.

Pra economizar tempo e dinheiro, a maioria das pessoas combina o dia do Valle Sagrado dos Incas com a viagem de trem até Aguas Calientes.

A estação de trem fica em Ollantaytambo, então é muito mais prático fazer o tour do Valle Sagrado e permanecer em Ollanta ao invés de voltar para Cusco.

Tour em Grupo ou Particular?

Gostaria de ter feito o tour em grupo, mas por causa de um imprevisto com o horário da passagem de trem de Ollanta até Aguas Calientes, o nosso passeio do Valle Sagrado dos Incas teve que ser personalizado: fizemos uma mistura de tour particular com tour em grupo.

Para visitarmos apenas Pisac, tivemos que fechar um guia/motorista particular. Como estávamos em 4 pessoas o valor do pacote foi muito em conta! Praticamente pagamos o valor do tour em grupo e tivemos o benefício de poder moldar os destinos.

Acabamos dividindo o tour do Valle Sagrad dos Incaso em dois dias e, além disso, deixamos de conhecer Urubamba. Geralmente o pessoal para em Urubamba apenas para almoçar, então não doeu muito cortar esse destino.

No primeiro dia fizemos Pisac durante toda a manhã e o City Tour em Cusco no período da tarde. No dia seguinte saímos às 7:30h e fizemos Chinchero, Moray, Salineira de Maras e Ollantaytambo (ficando em Ollanta).

Agora vamos ao que realmente interessa: as atrações do Valle Sagrado dos Incas! Em seguida, vou falar um pouquinho sobre o meu tour ao Valle Sagrado.

Uma coisa eu já posso ir adiantando pra vocês: não durmam no caminho! Fiquem com os olhos bem abertos para aproveitar as lindíssimas paisagens que ligam todos os destinos do passeio.



Pisac

Pisac (Segunda a domingo: 8h às 17h). O Parque Arqueológico Nacional de Pisac fica a 33 km de Cusco em uma altitude de 3.334 metros acima do nível do mar.

Depois de algum tempo na estrada sentido Pisac, o nosso guia comentou sobre o Santuário Animal de Cochahuasi, santuário localizado entre Cusco e Pisac.

Lá poderíamos ver dois dos animais da trilogia andina: o Puma e o Condor. Ficaria faltando a Serpente, o terceiro animal da trilogia, mas esse daí a gente pula, obrigada!

A lábia do nosso guia era boa e na hora achamos a ideia do Santuário bem legal. Estávamos todas imersas na cultura Inca e no simbolismo da trilogia andina, por isso resolvemos fazer uma rápida parada, afinal o Santuário fica no caminho de Pisac.

Santuário Animal de Cochahuasi

O Santuário de Cochahuasi é bem pequeno e abriga outros animais além do condor e do puma. Vimos lhamas, alpacas, araras, papagaios, tartarugas e até um urso!

Alguém sabia que existe urso na América do Sul? Pois é, o Urso-andino é o único urso característico da América do sul e é um dos ursos mais vulneráveis, perdendo apenas para o panda.

No dia da visita tinha um filhotinho de urso chamado Moisés.Ele ficava preso em um quarto pequeno e era solto para beber leite em nossa frente. Conseguimos ver os pumas de longe dormindo no cantinho do recinto.

A interação maior foi com os condores. O tratador dá um comando e o condor passa voando pelo recinto, chegando bem pertinho da gente. Eles são enormes! A envergadura das asas chega a ter 3 metros e meio!

Depois do contato com os animais, fomos apresentadas a uma jovem moça artesã, a Silvia. Conhecemos os métodos naturais de tingimento das lãs e a forma de confeccionar os famosos tecidos peruanos, essa parte foi muito legal! Ao fim da visita solicitam uma doação em prol da manutenção do Santuário, cerca de 10 soles.

bordado peruano
Silvia, a menina bordadeira -Toda a beleza e detalhes da confecção dos lindos tecidos peruanos.

Apesar de ter me encantado com os animais vistos e valorizar bastante o fato de cuidarem de animais resgatados, alguns detalhes me incomodaram um pouco: o tamanho dos recintos (principalmente o do urso) e a interação dos visitantes com os animais.

Animais resgatados ou em reabilitação não devem ter muito contato com humanos. E não é bem isso o que acontece lá.

Tive a impressão de que os animais servem como atração. Isso atrapalha o bem-estar dos bichinhos, fazendo com que o objetivo do santuário caia por terra.

Enfim, achei o passeio um pouco duvidoso, pensaria algumas vezes antes de recomendá-lo. Além disso, ele rouba um pouco de tempo do tour de Pisac.

Pisac e seus Enormes Terraços Agrícolas

Saímos do Santuário e enfim chegamos à Pisac. Pisac é uma das ruínas arqueológicas mais importantes do Valle Sagrado dos Incas. Grande parte do sítio é composta por terraços agrícolas direcionados ao cultivo de grãos e tubérculos.

Peruana em Pisac
Cuscoruna vendendo artesanato perunao na entrada das ruínas arqueológicas de Pisac. Lá embaixo está o povoado de Pisac.

Para possibilitar o cultivo nas encostas das montanhas e evitar a erosão da terra, os Incas desenvolveram a técnica de plantio estilo terraços agrícolas.

Assim que entramos no parque fomos caminhando no sentido dos terraços agrícolas. Gente, pausa! Eu sempre achei que os “degraus” desses terraços eram de um tamanho digamos que… Razoável, nunca imaginei que eles teriam mais de 2 metros de altura!

Por isso eu repito: fotos não fazem jus à beleza real desses lugares. Pisac, Chinchero, Moray e Ollantaytambo têm terraços agrícolas enormes!

Nas fotos, a perspectiva fica distorcida e o que é gigantesco fica com cara de pequenino. Vocês têm que ir pra ver!

Pisac
Degraus gigantes dos terraços agrícolas de Pisac. Neles foi cultivado o melhor grão de milho de todo o Peru!

Pisac é uma das únicas ruínas arqueológicas agrícolas do Peru onde foi descoberta a existência de um cemitério. Essa descoberta é recente, sendo desconhecida a hierarquia das pessoas enterradas no local.

Depois do sítio arqueológico de Pisac passamos um tempo no Mercado de Pisac. O Mercado parece uma feira aberta, tem um pouquinho de tudo: tecidos e agasalhos peruanos, pinturas em papel, joias, artesanato, pedras energéticas, bolsas, mochilas, lhamas de mentira e de verdade…

O Mercado é bem rico. Mas, por ser um ponto completamente turístico, os preços são mais salgados do que os encontrados no Centro Artesanal de Cusco.



Chinchero

Chinchero (Segunda a domingo: 7h às 18h). A visita à Chinchero é dividida entre o povoado de Chinchero e o Centro Arqueológico de Chinchero.

O Centro Arqueológico fica a 28 km de Cusco em uma altitude de 3761 metros acima do nível do mar. Assim que chegamos a Chinchero descemos da van e começamos a subir uma escadaria bem grandinha.

Os passeios do Valle Sagrado exigem mais do que os passeios do City Tour em Cusco. Pra não ficar pedindo penico o tempo todo, é importante estar bem aclimatado e escolher a ordem certa dos passeios! Já conferiram as dicas para uma boa aclimatação?

No topo das escadas começamos a ver um pedacinho dos terraços agrícolas de Chinchero. Em Chinchero têm terraços menores e uma grande área plana utilizada antigamente para o plantio de batatas. O lugar é muito bonito!

Chinchero
Os terraços de Chinchero estavam bem verdinhos, a grama parecia um tapete. Era super cedo então não tinha muita gente no local. Geralmente a maioria dos tours visita Chinchero no período da tarde.

Ao lado do amplo terraço há uma enorme igreja construída pelos espanhóis. Os espanhóis aproveitaram as paredes dos templos Incas como base para a construção dessa igreja.

Vizinho à igreja tem uma espécie de mercado artesanal onde os moradores do povoado expõem o próprio trabalho em lonas esticadas no chão.

Chinchero
Esse é o lado contrário aos terraços agrícolas. Ao fundo tem algumas ruínas Incas e à direita fica a parte da Igreja e outras construções espanholas.

O Povo Artesão de Chinchero

Depois de visitar o Centro Arqueológico, seguimos para um complexo de artesãos. Lá recebemos uma aula sobre o tingimento dos tecidos e a confecção dos mesmos (como recebemos a mesma explicação no dia anterior durante o City Tour de Cusco, ficou um pouco maçante).

Chinchero é famoso por ser um centro têxtil. O dia de nossa visita caiu em um domingo e, aparentemente, todo dia de domingo acontece uma grande feira abaixo do Centro Arqueológico.

Infelizmente não conseguimos visita-la por causa do tempo hábil. Deveria ter fugido do guia para dar uma olhadinha na feira, me arrependo até hoje! Se vocês tiverem tempo durante o tour, por favor, visitem a feira por mim e depois me contem aqui o que acharam!

Moray

Moray (Segunda a domingo: 8:30h às 16:30h). O Sítio Arqueológico de Moray fica localizado a 53 km de Cusco a uma altitude de 3.533 metros acima do nível do mar.

Achei Moray deslumbrante! A forma com que os seus terraços agrícolas são dispostos é muito diferente das outras ruínas do Valle Sagradodos Incas. Moray tem terraços circulares que se afunilam na medida em que alcançam níveis mais baixos.

Moray
O formato dos terraços agrícolas de Moray são super singulares. Esse foi um dos lugares que mais me chamou a atenção.

As diferentes alturas entre os terraços de Moray criam regiões com variados microclimas. Surpreendentemente, a mudança de temperatura entre a parte superior e a parte inferior dos terraços chega a ser de 15 C!

Isso possibilita o cultivo de produtos com exigências climáticas diferentes: mais de 240 plantas foram cultivadas em Moray. Devido toda a maleabilidade climática de Moray, o sítio também era utilizado como laboratório agrícola Inca.

Moray
Descampado do lado oposto às ruínas de Moray.

Salineira de Maras

O ingresso deste passeio não está incluso no Boleto Turístico de Cusco, sendo necessário pagar 10 soles na entrada do local.

A Salineira de Maras é um complexo mineral localizado a 39 km de Cusco a 2.913 metros acima do nível do mar.

A estrada de acesso à salineira é sinuosa e estreita. Fiquei com um pouquinho de medo ao longo da descida, mas esse medo logo foi embora quando comecei a vislumbrar os milhares poços de sal.

É poço que não acaba mais! Praticamente todo o pé da montanha é tomado por cerca de 3.000 formas retangulares cobertas de sal. Esse local é muito diferente de tudo o que vi no Peru, a visita é indispensável!

Salineira de Maras
O branco ofuscante da Salineira de Maras faz o maior contraste com o restante do vale. Dá uma sede ficar envolta desse sal todo! (ondeeufuiparar.wordpress.com)

As minas de sal de Maras vêm sendo exploradas desde os tempos Incas como meio de intercâmbio econômico e de valores. Atualmente, o sal produzido é comercializado para diversos fins, até mesmo o terapêutico.

Aproveite a visita à Salineira para comprar um saquinho de sal diretamente de Maras. Ah, foi lá que comi a melhor bananinha assada da viagem, fica a dica!

Ollantaytambo

Ollantaytambo (Segunda a domingo: 7h às 17h). O Parque Arqueológico de Ollantaytambo fica localizado a 60 km de Cusco a uma altitude de 2.843 metros acima do nível do mar.

Ollantaytambo é considerado um dos complexos arquitetônicos mais monumentais do Império Inca.

Por causa dos enormes muros, Ollanta era comumente chamado de fortaleza. Mas, na realidade, era uma cidade-alojamento estrategicamente localizada para dominar o Valle Sagrado dos Incas.

Ollantaytambo
As escadarias de Ollanta são inesquecíveis não só por sua beleza, mas pela canseira também! Canso só de olhar pra essa foto! Ollanta foi a última parada do nosso passeio e eu não aguentava mais subir escadas…

Do lado oposto aos muros de Ollanta tem uma enorme montanha com formações idênticas a metade de um rosto.

Realmente dá pra ver a silhueta de um rosto, e não é qualquer rosto, é o rosto de um rei coroado e barbudo. Dizem que o rosto apareceu após um terremoto no século XX. Bizarro, não?

Ollantaytambo
Ali o rosto! Olhem em direção ao meu braço levantado. Deu pra ver?

Nessa mesma montanha também tem uma construção Inca direcionada ao armazenamento de alimentos. Como a maioria das coisas feitas pelos Incas, o local de construção desse armazém foi extremamente planejado. A alta incidência de ventos auxilia na conservação dos alimentos.

Quando o passeio chegou ao fim pegamos nossas mochilas na van e passeamos pela cidade de Ollantaytambo atrás de um restaurante para almoçarmos.

Depois do almoço pegamos o trem sentido Aguas Calientes. Ainda não sabe como ir para Aguas Calientes? Vale muito a pena ir de trem, a paisagem é cinematográfica!


Está planejando sua viagem ao Peru?
Confira o meu Roteiro de 7 dias em Cusco e Machu Picchu:

Dia 01 –Aclimatação na Plaza de Armas + Câmbio de Dinheiro e Compra do Boleto Turístico de Cusco

Dia 02 – Tour a cavalo com a Horseback Riding Cusco + Tarde em Cusco

Dia 03 – Conhecendo o Mercado de San Pedro e outros Centros Artesanais

Dia 04 – Passeio à Pisac (Valle Sagrado dos Incas) na parte da manhã + City Tour de Cusco à tarde

Dia 05 – Manhã e tarde visitando o Valle Sagrado dos Incas + Viagem de trem para Águas Calientes

Dia 06 – Subindo a Montanha Huayna Picchu + Visita às ruínas de Machu Picchu + Noite em Cusco

Dia 07 – Dia livre em Cusco + Aeroporto




2 pensamentos em “Valle Sagrado dos Incas: Como é o Passeio?”

    1. Oi, Dui! Tudo bem? Fichei o passeio do Valle Sagrado e do City Tour em uma agência localizada na Plaza de Armas. Tem muuuitas agências em Cusco, principalmente na região da praça. Não me lembro o valor exato cobrado (desculpa!), mas como fechei os dois passeios juntos e estava em um grupo de 4 pessoas, consegui um valor super em conta. A dica é pechinchar bastante, os peruanos estão acostumados com uma boa barganha e sempre abaixam o preço. Outro detalhe interessante: as agências mais distantes do centro da cidade são as mais econômicas. Tem outras dicas úteis nesse post aqui. Boa viagem!

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