Subindo Huayna Picchu – O que esperar da trilha?

Huayna Picchu é a montanha icônica das clássicas fotos de Machu Picchu. A maioria das pessoas apenas a observa de longe, são poucos os que se aventuram em sua trilha. Decidi me aventurar e conto aqui como foi subir o nariz do Inca.


Subir ou Não Subir?

Fiz essa pergunta a mim mesma um milhão de vezes e ainda assim não tinha uma resposta. Foi aí que decidi procurar por relatos de pessoas que se aventuraram subindo a Montanha Huayna Picchu.

E pra ser bem sincera, não sei se isso ajudou ou piorou a situação. As opiniões variavam: alguns falavam que era tranquilo subir a montanha, outros descreviam o inferno na terra. E agora, subir ou não subir?

Eu, geminiana indecisa e com medo de altura, fui forçada a decidir antes mesmo de colocar os olhos na montanha. Explico por que: apenas 400 pessoas por dia tem autorização para fazer a trilha da Montanha Huayna Picchu ou da Montanha Machu Picchu.

Por causa disso, os ingressos esgotam muito rápido! A compra antecipada é fundamental e deve ser feita com bastante antecedência (cerca dois meses ou mais, vai depender da temporada).

Pra você ter uma noção, acessei o Site Oficial do Ministério da Cultura Peruano um mês e meio antes da minha viagem e quase não havia mais ingresso, restavam apenas 22 ingressos disponíveis!

Subindo Huayna Picchu
No Site Oficial, é possível consultar a disponibilidade de ingresso assim como os seus respectivos valores. A consulta da imagem acima é referente ao pacote Machu Picchu + Huayna Picchu (primeiro grupo).

Sou dessas que só funciona à base da pressão. Quando vi a quantidade mínima de ingressos disponíveis decidi encarar a aventura!

Comprando o ingresso

Na época em que comprei o ingresso no Site Oficial (2016), a compra era feita apenas com cartão de crédito bandeira Visa. Isso me atrapalhou um pouco a vida, mas por sorte deu tempo de comprar o ingresso de acesso à Machu Picchu (MP) + Huayna Picchu (HP).

No site oficial existem outras combinações de ingressos e trilhas, como por exemplo associar as ruínas de Machu Picchu à trilha da Montanha Machu Picchu.

Seja seu ingresso para a Huayna Picchu ou para Montanha Machu Picchu, a regra é a mesma: apenas 400 pessoas são permitidas diariamente em cada montanha.

As 400 pessoas permitidas são divididas igualmente em dois grupos. O primeiro grupo inicia a trilha das 7h às 8h e o segundo grupo das 10h às 11h. Na hora da compra é preciso escolher um dos grupos e determinar o horário de entrada na Montanha Huayna Picchu.

Os horários são estritamente respeitados, ou seja, se você atrasar vai encontrar a porta fechada e acabar perdendo o passeio. Não vai deixar o despertador na soneca, hein?

Escolhi fazer parte do grupo das 7h às 8h. Achei muito melhor a logística de fazer primeiro Huayna Picchu e depois Machu Picchu. Dessa forma eu chegaria com 100% de energia para o passeio mais desafiador e depois faria com calma a visita guiada a Machu Picchu.

O ponto negativo dessa escolha foi não conseguir ver o nascer do sol em Machu Picchu. Choices, minha gente! Agora vamos ao que interessa: como foi subir a Huayna Picchu? Foi um perrengue dos infernos ou deu pra tirar de letra?



A caminho da Montanha Huayna Picchu

Primeiro, vamos começar do começo. No dia anterior à visita, eu e minhas amigas dormimos em Aguas Calientes no Hostel Ecopackers (recomendo!). Dormir em Aguas Calientes é a melhor opção para quem precisa chegar bem cedinho em Machu Picchu.

Geralmente os madrugadores são aqueles que querem ver o nascer do sol em Machu Picchu ou precisam dar entrada na Montanha Huayna Picchu, como foi o nosso caso.

Acordamos super cedo, às 3:30h da manhã. Aproveitamos para fazer checkout e colocar as nossas coisas no locker do hostel. Em seguida, tomamos aquele café da manhã bem reforçado com folha de coca até no pão e fomos para a fila do ônibus.

Ônibus até Machu Picchu

Compramos a passagem do ônibus que nos leva até Machu Picchu na noite anterior. Na época, maio de 2016, a passagem custava U$24,00 ida e volta. A passagem não tem horário marcado, as pessoas vão embarcando por ordem de chegada. Por isso é tão importante chegar cedo!

Os ônibus saem do mesmo local onde as passagens são vendidas, uma rua no meio de Águas Calientes. Chegamos à fila por volta das 4:30h da manhã e, pasmem, já tinha uma galera aguardando!

Entramos na fila e ficamos esperando dar às 5:30h, horário de início dos embarques. Assim que deu o horário, os primeiros ônibus começaram a chegar, desde então a fila andou bem rápido e logo estávamos dentro do ônibus indo para Machu Picchu.

De Aguas Calientes até Machu Picchu foram 30 minutos de subida numa estrada de terra em zigue-zague. No início, o caminho estava um breu! Não demorou muito para o dia começar a clarear.

Subindo Huayna Picchu
Essa é a estrada de acesso à Machu Picchu e à Huayna Picchu. O dia vai clareando durante a subida e aos poucos vamos nos encantando com a paisagem do lugar.

Começamos a ficar sem fôlego desde o início do passeio, mas por enquanto, a falta de ar era apenas pela beleza das imensas montanhas. Esperem até começar a subida da Huayna Picchu…

Na entrada de Machu Picchu

Enfim chegamos. Assim que descemos do ônibus nos juntamos a uma multidão de turistas e guias. São muitos os guias disponíveis na entrada de Machu Picchu, não há necessidade de contratar o serviço com antecedência. É só chegar e escolher o seu.

Aproveitem para usar o banheiro antes de entrar em Machu Picchu, pois só tem sanitários do lado de fora. Ah, eles cobram pra usar o banheiro!

Como faríamos a visita a Machu Picchu depois, nem demos bola pros guias e fomos direto pros guichês de entrada. Mostramos nossos ingressos e seguimos adiante.

O deslumbre iniciado dentro do ônibus aumentava cada vez mais. Aos poucos começamos a ver as ruínas de Machu Picchu e a vontade de explorar tudo aquilo era enorme! Seguramos a onda e seguimos as plaquinhas sentido Huayna Picchu.

Depois de passar pelo guichê da entrada, basta seguir as plaquinhas sentido a montanha Huayna Picchu.

Era tão cedo quando chegamos ao portão de acesso à montanha, que foi necessário esperar pela sua abertura. Ficamos por ali tirando algumas fotos e lidando com a ansiedade.

Quando voltamos para o portão uma pequena fila havia se formado, ao todo éramos mais ou menos 10 pessoas, as primeiras pessoas do dia a fazerem a trilha. Que emoção!

Todas lindas e empolgadas momentos antes de abrirem os portões de entrada à Huayna Picchu. Pergunta se tem foto depois da trilha… Depois da trilha só tem canseira!

A Subida

Na entrada da montanha apresentamos novamente o ingresso e assinamos um livro de registro com o nome e o horário de início da trilha. Tudo certo? Todo mundo levando água? Podemos começar? Sebo nas canelas e vamos nessa!

Logo de cara tem uma descida com vários degraus. Aliás, todo o trajeto é repleto de degraus, seja subindo ou descendo. Aqueles com problemas nos joelhos ou em alguma articulação devem repensar o passeio. O negócio é puxado!

Falando nisso, escolham um tênis com bom amortecimento. A doidona aqui foi de coturno. No final do dia o meu joelho e a sola do sapato estavam pedindo arrego (é sério, tive que mandar colar a sola do meu único sapato em plena viagem!).

Depois de descer bastante, chegamos de verdade na encosta da Huayna Picchu. Dali em diante é subida pra dar em vender. Têm de tudo: degraus de todos os tamanhos, cordas de aço para auxiliar na subida e descida, pessoas parando para descansar, lindas orquídeas, vontade de ir ao banheiro, pessoas passando mal, respiração ofegante, silêncio, suor, calor, arrependimento do cão, satisfação completa e, o principal… Deslumbramento!

Se tinha alguém deslumbrada, esse alguém era eu. Olhem a minha cara de felicidade ao ver 146 mil degraus à minha frente. Eu, hein! Nessa foto dá pra ver os cabos de aço que nos acompanham na maioria do percurso, principalmente nos pontos mais difíceis.
Parada do descanso no degrau da orquídea bicolor.

Quanto mais alto subíamos, mais bonita a paisagem ficava. Aos poucos o sol mudava de posição e iluminava toda Machu Picchu. Até então, o sol não estava batendo na gente, deixando o clima bem geladinho.

Esse foi o diferencial pra quem tá ralando no step em uma altitude de 2.720 metros acima do nível do mar. Nesse momento agradecemos ter escolhido fazer a trilha com entrada das 7h às 8h, foi a melhor escolha de todas!

Durante o inverno, subir a Huayna Picchu no primeiro horário foi como fazer uma aula de ginástica com ar-condicionado na cara. Na subida inteira o clima estava muito agradável, não tinha sol forte batendo no coco.
Huayna Picchu
Lembram do meu medo de altura? Então, não sei pra onde ele foi!

Já podíamos sentir, o topo da montanha estava se aproximando! O cenário começou a mudar, agora não estávamos rodeadas apenas por escadas, mas também por pequenos terraços agrícolas e outras construções Incas.

No Topo da Montanha Huayna Picchu

Subimos os últimos lances de escada e tcharaaaam! Estávamos no topo da Montanha Huayna Picchu! O visual e o sentimento de conquista são inexplicáveis!

Em qualquer direção tem algo capturando o olhar: a imensidão verde da vegetação, os gigantes arranha-céus naturais, o rio cortando as montanhas e, por fim, Machu Picchu, uma das 7 maravilhas do mundo moderno!

Huayna Picchu
Enquanto todo mundo estava do outro lado tirando foto das ruínas de Machu Picchu, lá estava eu sendo a do contra. Olhem esse paredão verde!
Huayna Picchu
Agora uma sem ser do contra. Subir a Montanha Huayna Picchu me deu uma perspectiva muito diferente de toda Machu Picchu. Andar por Machu Picchu e ver suas ruínas do alto de uma montanha são coisas bem diferentes. Os dois passeios se completam, super indico!

A minha vontade era ficar lá em cima por horas e horas. Mas como o lugar é pequeno, temos que dar espaço para quem chega. Respiramos fundo e começamos a descida.

A Descida

Pra não congestionar a trilha da subida, a descida é feita por outro caminho. Pouco depois de sair do topo, vimos várias pessoas descansando nos terraços agrícolas.

O lugar se transformou em uma pracinha, todo mundo conversando, bebendo água e comendo uma besteirinha. Do lado oposto aos terraços estava Machu Picchu. Aproveitamos para descansar um pouco e absorver ainda mais toda a beleza e energia do lugar.

Continuamos com a descida. Daí pra frente não tem muito que contar, eram degraus e mais degraus. Quando saímos da montanha e fomos em direção à portaria de Huayna Picchu, passamos pelas pessoas da trilha das 10h às 11h.

Gente, nessa hora estava um sol de rachar (mesmo no inverno)! Fiquei com pena das pessoas e agradeci novamente por ter escolhido a trilha que começava mais cedo.

Chegamos à portaria e assinamos o livro de registro, dessa vez com o horário de término da trilha. Levamos pouco mais de 1 hora para completar a trilha, tempo bom, não acham?



E aí, subir ou não subir Huayna Picchu?

Se eu disser que a subida é fácil, estarei mentindo. A altitude torna a trilha bem puxada e cansativa, mas não é todo esse bicho de sete cabeças.

Cansou? Faça pequenas paradas pra descansar e recuperar o fôlego. Ninguém está apostando corrida, você tem todo o tempo do mundo. Pise sempre com firmeza e atenção, o que nós não queremos nesse momento é um tornozelo torcido!

Para diminuir a chance de algum acidente acontecer, a maioria da trilha é acompanhada por cordas de aços, servindo como propulsor e ponto de apoio.

Todo o grande esforço é muito bem recompensado pela imponência e perfeição do lugar. Eu subi a montanha Huayna Picchu e, sem pensar duas vezes, subiria novamente!

Depois de toda essa falação, deu pra decidir? Você vai ou não vai subir o nariz do Inca?


Está planejando sua viagem ao Peru?
Confira o meu Roteiro de 7 dias em Cusco e Machu Picchu:

Dia 01 –Aclimatação na Plaza de Armas + Câmbio de Dinheiro e Compra do Boleto Turístico de Cusco

Dia 02 – Tour a cavalo com a Horseback Riding Cusco + Tarde em Cusco

Dia 03 – Conhecendo o Mercado de San Pedro e outros Centros Artesanais

Dia 04 – Passeio à Pisac (Valle Sagrado dos Incas) na parte da manhã + City Tour em Cusco à tarde

Dia 05 – Manhã e tarde visitando o Valle Sagrado dos Incas + Viagem de trem para Águas Calientes

Dia 06 – Subindo a Montanha Huayna Picchu + Visita às ruínas de Machu Picchu + Noite em Cusco

Dia 07 – dia livre em Cusco + Aeroporto




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