O que você precisa saber antes de viajar para a Birmânia: 18 Curiosidades e Dicas sobre Myanmar

Classificado pela Lonely Planet – Best In Travel como um dos 10 melhores países para se conhecer em 2017, Myanmar é o grande queridinho do momento!


18 Curiosidades e Dicas sobre Myanmar

Voltei da minha viagem de 10 dias pela Birmânia extremamente apaixonada por Myanmar e pelo povo birmanês. O país guarda muitos encantos! Vamos conferir algumas curiosidades e dicas sobre Myanmar?

1) Os birmaneses são fascinados pelos estrangeiros

Durante as viagens de hoje em dia, a interação dos turistas com o povo local é bastante habitual. A maioria dos nativos está acostumada com o fluxo de visitantes e dessa forma o ir e vir dos turistas às vezes passa desapercebido.

Mas, o mesmo não acontece em Myanmar. Myanmar foi governado durante muito tempo por um restrito Regime Militar e há poucos anos começou a abrir suas portas para o mundo.

 Shwe Indein Pagoda Jungle Stupas Inle Lake.
Duas birmanesas sorridentes descansam na sombra das árvores do Shwe Indein Pagoda, as Jungle Stupas da vila Indein, Inle Lake.

Com a recente “abertura” para o turismo, não somos apenas nós – os visitantes – que ficamos fascinados com o povo e costumes locais. Os birmaneses também ficam visivelmente encantados (e às vezes espantados!) com os estrangeiros e seus diferentes costumes.

Selfie pra marcar um momento especial: A filha do nosso gentil e querido motorista de Mandalay nunca tinha visto turistas ocidentais. Antes de irmos embora para outra cidade, ele a trouxe pra nos conhecer. Acho que ela gostou, né? Olha o sorriso no rosto!
A maioria apenas observa com olhinhos curiosos, como essa linda mocinha pintada de thanaka.

2) A obsessão por dólares novíssimos

Essa curiosidade é na verdade uma dica importantíssima pra quem vai visitar o país. Levem na carteira apenas dólares novinhos em folha! Os bancos de Myanmar são super exigentes no momento do câmbio: eles NÃO aceitam notas antigas ou minimamente dobradas.

Toda nota de dólar tem o ano de impressão registrado em um de seus lados. Se a nota for de 2010 pra cima pode colocar um sorriso no rosto e sair cheio de kyats no bolso. Mas, meu amigo(a), se seu dólar for de 2010 pra baixo, nenhum birmanês vai querer seu dinheiro gagá.

Quando digo nota dobrada, não to me referindo à dobradura do 1 dólar da sorte que mais parece um origami. To falando de amassado leve, micro orelhinha. Nenhum banco, hospedagem ou comércio vai querer o seu dólar non grato (pinterest.com)!

Antes de ir para Myanmar li rapidamente sobre esse assunto, mas a minha concepção de nota velha e dobrada era outra. Por isso acabei vivendo na pele os dois problemas: tive dólares recusados em hotel e banco.

Por sorte, tinha comigo outras notas novas pra usar e acabei deixando as “surradas” pra trocar no Camboja ou Tailândia, onde não existem essas frescurites cambiais.

Ah, e cuidado! A hipocrisia rola solta com os trocos. Alguns lugares de Myanmar são injustos e dão notas rasgadas e velhas como troco. Se bobear esse detalhe passa batido e você vai acabar com dinheiro parado no bolso.




3) A heroína Aung San Suu Kyi

Vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, Aung San Suu Kyi desempenhou e continua desempenhando importante papel na história do país.

Em 1988, Suu Kyi se posicionou contra o duradouro Regime Militar sendo responsável por inflamar e liderar o movimento pró democracia do país.

Através de comícios por toda a Birmânia, Suu Kyi pregava a não violência e a desobediência civil. Com seu movimento apenas crescendo e se tornando uma visível ameaça à Ditadura Militar, não tardou para decretarem sua prisão domiciliar, situação em que viveu por quase 15 anos.

Em Myanmar tem imagens e quadros da Suu Kyi espalhados por todas as partes. Ela é realmente muito adorada no país.

Em 1990, enquanto presa, aconteceram as primeiras eleições gerais desde 1962, nas quais o partido liderado por Suu Kyi obteve êxito conquistando mais de 80% das cadeiras disputadas. Contudo, a junta militar se recusou a reconhecer o resultados das eleições.

Em 2012 Suu Kyi foi finalmente eleita deputada. A partir daí inúmeras mudanças ocorreram e em 2016 houve a primeira eleição democrática de Myanmar.

A história dessa incrível mulher é muito bonita e comovente. Pra quem interessar possa, assistam ao filme The Lady, o qual conta a história da atual 1ª Conselheira de Estado de Myanmar.

4) As bocas vermelhas de Myanmar

Bastou pisar em Yangon, a antiga capital birmanesa, para reparar nas várias manchas vermelhas espalhadas pelo chão da cidade. Detalhista como sou, comecei a ficar intrigada com aquele indefinido líquido avermelhado. Alguém se machucou aqui? E ali também?

As calçadas e beiras de asfalto pareciam um campo minado. Desatentos teriam um mal tempo patinando em cima daquele sangue (?) tinta (?), óleo (?). Afinal, o que são essas estranhas manchas vermelhas?

A resposta veio da boca de alguém… Literalmente! Entendi toda a origem das manchas depois de me deparar com um enorme sorriso escarlate preste a dar uma cusparada no chão.

O uso repetido tinge a saliva de vermelho vivo e enegrece os dentes, provocando danos irreversíveis. Além disso, pesquisadores consideram a noz de areca cancerígena e tão viciante quanto o tabaco (cnn.com).

Birmaneses e outros povos asiáticos tem o costume de mascar a noz de areca ou betel nut. O ato de mascar essa noz tem efeitos semelhantes aos da nicotina: estimula o sistema nervoso central, inibe o apetite e vicia.

Jovens ou adultos, muitos birmaneses mascam a noz diariamente com o objetivo de ter mais energia durante as atividades do dia a dia. E, por ser viciante, o que era eventual acaba virando rotineiro.



5) A eterna busca do condicionador e do protetor solar

Mochileira talentosa é aquela que vai viajar pelo Sudeste Asiático por 1 mês e consegue fazer a mochila pesar apenas 7kg. Pra que só isso, fia? Pra não despachar a bagagem e pagar bem baratinho na passagem de avião… Regras do econômico programa de créditos da lowcost AirAsia.

Com tantas limitações de peso e tamanho da bagagem, resolvi comprar shampoo, condicionador e protetor solar para o corpo lá mesmo. Mas como compra se não tem pra vender?

Shampoo deu pra achar, foi fácil. Mas aparentemente as birmanesas não usam condicionador ou creme pra pentear. E isso é super compreensível, as moças são donas de lindos cabelos lisos e sedosos.

Aí você imagina a cidadã aqui no final de um dia super quente, empoeirado, suado e surrado do sol… meu cabelo voltava só a bagaceira, não dava pra usar apenas shampoo.

Procurei e perguntei em todo lugar, mas ninguém sabia o que era ou pra que servia o tal do condicionador. Mas aí eu vi a luz: foi em uma feira que vendia desde artigos para a cozinha a cremes clareadores de pele que encontrei um pequeno potinho de condicionador.

Em Myanmar, protetor solar é artigo de luxo. Apenas em Bagan, a cidade mais turística do país, consegui achar o bendito. O danado era um protetor desconhecido, aguado e muito do ruim. Mas deu pra segurar a onda até chegarmos em outro país mais acostumado com o turismo.

6) Myanmar tem um dos passeios de balão mais famosos do mundo

Não tem aquela expressão machista: “conquistar o homem pela barriga”? Pois é, Myanmar conquistou a mulher aqui pelo balão! Foi amor a primeira vista quando bati o olho na imagem de Bagan e seus milhares templos sendo sobrevoados por balões.

Depois dessa tive certeza absoluta em incluir Myanmar à minha viagem ao Sudeste Asiático. E não apenas isso, também estava decidida em fazer o passeio de Balão em Bagan, um must do de Myanmar!

7) É facílimo viajar de ônibus pela Birmânia

Myanmar não é um país com dimensões continentais. Contudo, suas principais cidades ficam relativamente distantes uma das outras. Distante o suficiente para fazer o deslocamento de avião.

Porém, com o aumento do fluxo de turistas, o valor das passagens aéreas foi lá pra cima, encarecendo bastante a viagem. Sendo assim, uma ótima alternativa para conhecer várias cidades birmanesas é utilizar o transporte terrestre: ônibus.

São várias as companhias que atendem o país. Explico tudo o que vocês precisam saber nesse post: Myanmar de Ônibus – A forma mais prática e econômica de conhecer a Birmânia

8) Thanaka-ra de todo mundo

Em Myanmar falta protetor solar industrializado mas sobra o natural, o thanaka. O thanaka é uma pasta a base d’água feita com o farelo da casca, madeira ou raízes da árvore thanaka.

É bem fácil de fazer: os birmaneses moem a casca da árvore em uma pedra circular de ardósia e em seguida adicionam um pouco d’água (QRM Photography).

Além de embelezar as birmanesas, o thanaka refresca e protege a pele dos raios solares. Alguns ainda dizem que a mistura combate a acne e também deixa a pele mais macia.

thanaka
Eu entrei na cultura birmanesa e usei thanaka – foi bem legal me conectar com os locais sem precisar trocar nenhuma palavra. A maioria olhava e sorria de volta.
Myanmar thanaka
Não importa se é bebê, jovem ou adulto. Em Myanmar ninguém escapa do thanaka!

9) Motociclistas e capacete não andam juntos

Sabe terra sem lei? É assim que você se sente no trânsito de Myanmar. Além do trânsito ser uma loucura com moto tirando fino de carro e vice e versa, aparentemente não existe lei obrigando o uso de capacete.

Não foi uma ou duas pessoas sem capacete, e sim váárias! Mais fácil contar o número de motoristas conscientes do que os doidões sem proteção.

E a falta de capacete não era tudo. Muitos andavam com 3 ou 4 pessoas em uma moto. Pode isso? Em Myanmar pode.

10) O país é chamado de The Golden Land

Depois de começar a explorar Myanmar, não demora muito pra entender porque o país é chamado de “Terra Dourada”. São vários os templos adornados pela viva cor do ouro.

Um deles é especialmente marcante devido toda sua imensidão, o Shwedagon Pagoda em Yangon. São quase 100 metros de dourado puro!

Detalhe do Shwedagon Pagoda – A base do Pagoda é toda feita de tijolos cobertos com milhares de placas de ouro. Olha o tamanho dessas placas, é muito ouro!

11) Em Myanmar homens usam saia

Cada um usa a roupa que quiser. Ainda mais hoje em dia com o forte movimento contra estereótipos de gênero. Tá cheio de homem de saia!

Mas, não esperava me deparar com homens usando saia em Myanmar, um país ainda socialmente conservador. Acontece que essa saia, o longyi, é uma vestimenta tradicional entre os birmaneses.

Hsinbyume Pagoda Longyi Myanmar
Nosso guia Me Me descendo as escadas do lindíssimo Hsinbyume Pagoda em Mingun, perto de Mandalay.

Homens e mulheres, todos usam longyi. Paso é o nome utilizado para a saia masculina e htamain para a feminina. Além de terem nomes distintos, outros detalhes diferem ambas as saias: a forma de prender o tecido ao corpo e a padronagem do material, sendo a feminina mais exuberante, claro!

12) Myanmar tem carros fabricados para mão inglesa e francesa

Ex colônia britânica, Myanmar manteve por muitos anos alguns costumes ingleses, como por exemplo dirigir carros pela mão inglesa. Ou seja, do lado esquerdo da estrada, sendo o banco direito o do motorista. Deu nó aí? Agora imagina ser motorista em Myanmar, onde os dois tipos de mãos existem.

A movimentada Yangon é dona do trânsito mais caóticos de Myanmar. (Kuni Takahashi Photography)

No início dos anos 70, o general Ne Win decidiu mudar o sentido de circulação dos carros de mão inglesa para mão francesa. Ninguém sabe a real razão, alguns falam que foi por causa da astrologia, outros dizem que o general sonhou com tal feito.

O fato é: desde que a mudança foi imposta, o trânsito da Birmânia ficou ainda mais caótico com carros de mão inglesa e francesa circulando ao mesmo tempo. Quer dizer que ninguém respeitava esse general?

Não é bem assim… A maioria dos carros de Myanmar são antigos e tem fabricação japonesa, onde motoristas dirigem no lado direito do veículo. Mas, com as recentes leis de importação de veículos novos, tudo indica que em breve o tráfego dos carros se dará apenas pelo lado direito das estradas.

13) Hostel tem horário pra fechar

Que ano é hoje? Em Bagan, deu 23:30h ninguém mais sai ou entra no hostel. Mas, tratando-se de Myanmar e sua história política, esse detalhe é completamente compreensível.

A noite de Myanmar ainda não tem aquele clima de festa e bebedeira igual a do Camboja e da Tailândia. Inclusive, em algumas hospedagens tem avisos deixando isso bem claro.

Com o aumento do fluxo de turistas, esse cenário deve mudar daqui pouco tempo. E sinceramente, não sei se isso vai ser bom ou ruim…



14) Nascer e pôr do sol pra ninguém colocar defeito

Não importa onde você estiver. O nascer e pôr do sol em Myanmar é sempre de tirar o fôlego! A combinação do clima quente com a secura do ambiente transformava cada aparição do astro em um escândalo!

Yangon sunset
Yangon e uma de suas atrações – O esplendoroso pôr do sol!
Balloons over Bagan sunrise
A competição é acirrada! Que tal o nascer do sol em Bagan visto de um Balão? Foi quase um eclipse “balonístico”!

15) Em algumas hospedagens chuveiros não tem ralo nem box

Será que foi erro de construção? Fiz essa pergunta a mim mesma enquanto tomava o primeiro banho em Yangon, a maior cidade de Myanmar. Mas, a repetição do padrão deixou claro que esse importante detalhe de escoamento – ou ausência de – era proposital.

Mas, se tem um chuveiro ali quer dizer que eu posso tomar banho e a água vai descer por algum lugar, certo? Mais ou menos! O chão dos banheiros desprovidos de ralo ficava praticamente alagado depois de todo banho.

O cômodo virava uma banheira gigante com uns 2 cm de água. O nível da água só começava a baixar quando o chuveiro já estava desligado, e olhe lá! A água descia ou não por um cano posicionado na parede atrás da privada. Estranho, não?

Além do detalhe do ralo, a falta de box ou cortininha me incomodou no início. O banheiro inteiro ficava molhado, principalmente a privada. O negócio era esquisito, mas me acostumei com o tempo.

16) A vestimenta dos monges e monjas

Os monges da Birmânia são os únicos monges do Budismo Theravada a se vestirem com robes na cor vermelho bordô, se distinguindo dos monges do Camboja, Tailândia, Laos e Siri Lanka.

Monge trocando de robe em Myanmar
Monge escolhe qual robe vestir no Mahagandayon Monastery em Amarapura.

Mas essa característica é recente. Registros de pinturas antigas e fotos tiradas no final dos anos 50 mostram que a cor dos robes birmaneses era o comum laranja amarelado também utilizado em outros países do Sudeste Asiático.

E porque a mudança? Será que o general Ne Win sonhou com a nova cor? Risos. Não se sabe… Outra curiosidade está na cor do robe das monjas birmanesas: eles são todos cor de rosa.

monja mandalay myanmar
Mandalay Hill – A monja mais graciosa de toda Mandalay, Myanmar

Infelizmente essa não é a única diferença entre os monges e monjas. Por serem mulheres, as monjas recebem menos doações, o que torna a jornada espiritual muito mais árdua.

17) A comida é apimentada, mas muito, muito gostosa!

Como no Brasil, a comida local birmanesa varia um pouco de acordo com a região. Mas uma coisa é igual em todo Myanmar: a comida é deliciosa, mas bem apimentada!

Quando cheguei no país, ainda estava destemida e afim de provar o real sabor de Myanmar. Mas depois de dois dias era no spicy pra lá e no spicy pra cá! Moço… o negócio é forte! E não tem como dosar a pimenta porque o tempero está no prato inteiro!

noodles yangon myanmar
Lá o pessoal é tão fissurado em noodles que eles comem até no café da manhã! Será que encontrei o meu país? Olha eu toda feliz… Nem sabia que estava prestes a encarar um noodles banhado na pimenta!

Depois de se acostumar com a pimenta e se familiarizar com os pratos locais, é só correr pro abraço e se deliciar com a culinária birmanesa!

18) Povo amável, cativante e sorridente

Por fim, o povo birmanês – o grande responsável pela minha paixão por Myanmar! Em todas minhas viagens nunca me deparei com um povo tão genuíno e amável quanto o povo birmanês.

Barqueiro Myanmar
Charming man de Myanmar – o barqueiro mais pintoso da região era uma figura!

Pra eles não tinha tempo ruim e todos estavam sempre dispostos a ajudar sem esperar nada em troca. Eram gentis, bem humorados e tudo vinha do coração. Ninguém tinha malícia ou interesse embutido nos atos, como acontece em muitos lugares onde o turismo influencia de forma negativa.

Tem como não se derreter com essas carinhas? Olha o charminho!

Por esse e outros motivos, se você tem vontade de conhecer a Birmânia e seus encantos, vá o quanto antes! Myanmar te espera de braços e sorrisos bem abertos!





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