Desventuras em série: Os perrengues de uma viagem pelo Sudeste Asiático

Em viagens longas a probabilidade de coisas desagradáveis acontecerem é muito alta. Saiba como evitar essas situações e aproveite tranquilamente a sua viagem!


Viagem sem perrengue não é viagem, não é mesmo? Seja a viagem de curta ou longa duração, sempre acontece uma coisinha desagradável para marcar nossa memória e talveeez nos fazer rir em um futuro próximo.

No Peru, durante uma viagem de 7 dias em Cusco e Machu Picchu, o imprevisto foi ter a bagagem extraviada e esperar sua entrega por dois dias longos e frios.

Já durante o meu Roteiro Sudeste Asiático, uma viagem super longa passando por 3 países em 1 mês, a situação não podia ser muito diferente. Deu ruim, e não foi apenas uma vez.




Água e Comidas “Piririgosas”

Vamos começar com o perrengue mais constante da viagem: a diarreia. Não é novidade pra ninguém que viajar para o Sudeste Asiático, em especial para a Tailândia, é sinônimo de diarreia.

Vai conhecer a Tailândia? Dá uma olhadinha no meu Roteiro Tailândia de 16 dias e planeje a sua viagem!

Sério isso? Ô se é! A diarreia é uma realidade concreta (não muito hehe) na viagem de quem se aventura pelo Sudeste Asiático.

Uma das grandes vilãs dessa história é a água. Mas geeente, água é vida! É vida sim, tá vivinha cheia de micróbios!

Infelizmente o saneamento básico de muitos países do Sudeste Asiático ainda é bastante precário e tomar água de qualquer lugar pode resultar em problemas sérios.

Por isso, evite tomar água que não seja mineral, engarrafada e com lacre. Talvez assim você escape do piriri… Eu disse talvez.

Num calorão de 40 graus não tem como beber nada que não esteja bem gelado. E o que gela as bebidas? Gelo. Gelo feito na maioria das vezes com água não tratada. E é aí que mora o “piririgo”, minha gente! Sempre peça gelo feito com água filtrada.

E como diabos vou saber se o gelo é de água filtrada ou não? O truque tá no formato do gelo. Gelos picados ou sem molde costumam ser de água não filtrada e vão te dar a maior dor de cabeça, ou melhor, dor de barriga!

Os gelos filtrados e livres de perigo tem o formato cilíndrico e vem com um furinho no meio. Atenção redobrada quando for pedir gelo na bebida, principalmente com os smoothies!

Ufaa, consegui me safar do piriri. Aaaah, you know nothing, John Snow! Senta aí que tem mais coisa! Quero ver você escapar das comidas super apimentadas e temperadas do Sudeste Asiático.

Yangon Myanmar
Primeiro dia de viagem, 8h Yangon, Myanmar – Você estaria sorrindo antes de comer um noodles super apimentado já no café da manhã? Cometi esse terrível erro!

Sem dúvida, a comida do Sudeste Asiático é deliciosa! Mas para apreciá-la totalmente, você precisa se acostumar com os temperos aos poucos.

Não seja louca(o) que nem eu e caia de boca num prato super apimentado no primeiro dia de viagem! Sério, passei os outros dois dias só comendo frutas pois meu estômago tava male male. E olha que sou porreta com comida!

Acostumada ou não, a comida de rua é algo tradicional no Sudeste Asiático e cedo ou tarde você vai acabar experimentado. São várias barraquinhas vendendo comidas super baratinhas, gostosas, rápidas e… nervosas!

Vai ser difícil, mas tente fugir dos lugares com cara de problema sanitário. Procure comer em barraquinhas com ingredientes frescos e que preparam a comida na hora.

Yangon Myanmar
Evite alimentos empilhados ou que aparentam estar expostos por muito tempo.

Falando em problema sanitário, essa dica vai para os viajantes de ônibus. Viajar de ônibus pelo Sudeste Asiático pode ser super econômico e prático. Mas, meu amigo, muito cuidado com as comidas de beira de estrada!

Comida de beira de estrada é igual em qualquer lugar do mundo, ou seja, SOS! Viajei muito de ônibus por Myanmar e posso te assegurar que o negócio é teeenso. O que salva é o serviço de bordo disponível em alguns ônibus.

Cara, cadê meu Passaporte?

Eita que esse dia eu tive um trelelê… Por causa de uma falta de atenção, quase fiquei sem meu passaporte e passei um dos maiores perrengues da minha vida!

Nessa brincadeira, por pouco perdi metade da viagem e corri o risco de ficar presa no Camboja por tempo indeterminado.

Dramas à parte, querem saber quais cidades e templos visitei em minha viagem ao Camboja? Confira todos os detalhes no meu Roteiro Camboja de 4 dias.

Problemas com o passaporte podem arruinar a sua viagem. Ainda mais se tratando de viagens longas onde a ideia é passar por vários países.

Ainda bem que sempre aprendemos com os erros, não é mesmo? Depois do que aconteceu comigo no Camboja, fiquei esperta! Agora só ando com meu passaporte amarrado em mim!



Mayday, Mayday!

Sabe quando o momento mais lindo da viagem de repente se transforma em terror e pânico? Pois foi bem isso que aconteceu no finalzinho do Inesquecível Passeio de Balão em Bagan.

Tava tudo indo maravilhosamente bem depois da adrenalina inicial de subir na cesta e decolar. Milhares de templos sendo sobrevoados por balões de ar quente logo no comecinho da manhã – O cenário é cenográfico!

Passeio de Balão em Bagan Balloons over Bagan Myanmar
Não é lindo? Foi por causa dos balões de Bagan que me apaixonei por Myanmar e decidi conhecer o país.

Foram 45 minutos literalmente flutuando nas nuvens. Mas aí a hora do pouso chegou e… Tombamos! Gente, a cesta do balão virou!

Por causa da velocidade do balão no momento do pouso existe a chance da cesta virar quando em contato com o solo. E aparentemente esse não é um evento raro. Uma outra amiga fez o passeio e passou pela mesma situação.

Apesar do sustinho, todo mundo saiu inteiro e vivo! Afinal, a cesta não vira por completo e sai capotando loucamente, ela só tomba de ladinho e é arrastada pelo balão por alguns metros. Coisa boba! Em seguida o balão para e todo mundo finalmente coloca os pés em terra firme. Graças a Deeeels!

Quase uma queimadura de 3º grau

Encostou no carburador da moto? Não. Foi cozinhar e se queimou? Também não. Então como diabos você se queimou, menina? Foi com o sol, caceta!

Hong Island Tailândia
Oia só o camarão à milanesa! – Então, gente. Só vou colocar essa foto aqui pq vcs prometeram não rir e eu preciso ilustrar o perrengue.

Aposto que quem ficou rindo de mim vermelha igual a um camarão nunca imaginou que eu fosse brasileira. Vamos combinar, se tem um povo que está acostumado com esse solzão tropical e adora pegar um bronze, esse povo é o brasileiro!

Por causa da minha brancura e falta de melanina, sou obrigada a usar muito filtro solar e sempre procurar uma sombrinha pra me esconder do magnífico sol.

Saí do Brasil levando na mochila apenas filtro solar pro rosto. A ideia era comprar o protetor para o corpo assim que chegasse em Myanmar, o primeiro país do Roteiro Sudeste Asiático.

Mas o problema foi o seguinte: foi praticamente IMPOSSÍVEL achar protetor solar em Myanmar, a não ser o natural thanaka. A Birmânia ainda não está muito preparada para receber turistas, por isso a dificuldade.

Tem vontade de ir para a Birmânia? Confira meu Roteiro Myanmar de 10 dias e não deixe de ler o post Curiosidades e Dicas sobre Myanmar.





Depois de procurar em 3 cidades birmanesas, achamos um protetor bem marromeno em Bagan, a cidade mais turística do país. O jeito foi usar ele mesmo.

E foi assim até chegar na Tailândia, onde pegamos as praias. Em qualquer mercadinho ou farmácia da Tailândia tem protetor solar, mas eu quis terminar o de Myanmar antes de comprar outro. Economia, gente.

Foi aí que me lasquei. No PRIMEIRO dia de praia fizemos snorkeling e ficamos de bunda pro sol o dia inteiro. Resultado: o protetor furreca não segurou a onda e a insolação mandou um abraço!

Foi difícil parar com o snorkelling depois de ver tantos peixinhos lindos nadando em uma água cristalina!

Não sei como não tive febre ou outros sintomas de insolação (ainda bem!). Tirando a ardência e o calor na pele, o prejú foi só conseguir tirar foto de frente! Risos.

Fiquei me sentindo aquelas europeias que não sabem tomar sol e ficam da cor de um tomate. Sem zoeira, voltei de viagem tem mais de 4 meses e estou com essa marquinha cretina até hoje!

Atenção! Se liguem no protetor solar. Foi um martírio ficar com a pele desse jeito, ainda mais tendo que pegar praia nos outros dias e carregar uma mochila pesada nas costas!

Dormindo com um “Percevejo”

Esse é o apelido do seu romance gringo? Quem dera! Já ouviu falar em percevejo do leito ou bed bug? Essa praga com nome de filme de terror é comum em hostels mais simples e com higienização não muito boa.

Antes da minha viagem ao Sudeste Asiático já havia escutado algo sobre os bed bugs, mas nunca pensei que fosse presenciar esse perrengue.

Tudo aconteceu em uma noite em Ko Phi Phi, na Tailândia. O hostel em questão foi o party Hostel Stones (que por sinal não recomendo por inúmeras razões).




Por falta de sorte, uma das minhas amigas e companheira de viagem foi sorteada com a cama contaminada com os malditos bed bugs. Provavelmente o viajante anterior estava contaminado e disseminou o parasita pelo colchão e lá ele ficou.

No dia seguinte ela começou a sentir coceira e algumas erupções na pele começaram a surgir. Foi um samba do crioulo doido: na tentativa de matar as praguinhas, ela teve que colocar suas roupas no sol e separar tudo que entrou em contato com a cama.

Depois de uns dias pegando sol e tomando banho de mar, as picadas dos percevejos da minha amiga foram melhorando. Ainda bem que a água do mar é curativa!

Pra quem quer saber mais sobre os bed bugs, a Debora do Viajando em Família explica em detalhes nesse post: Bed Bugs – Como evitar e o que fazer?

Vou de táxi, cê sabe!

Primeiro dia de viagem quase acabando. Precisávamos chegar até a rodoviária de Yangon para pegar o ônibus noturno sentido Mandalay. Saímos do hostel e pegamos um táxi direto na rua.

Yangon Myanmar
Yangon é uma cidade super interessante e cheia de surpresinhas, como esse pequeno monge bisbilhotando o movimento da rua pela janela de casa.

O rapaz da recepção do excelente Hostel Backpacker (Bed&Breakfast) falava um pouco de inglês (inglês é raridade em Myanmar) e deu as coordenadas para o taxista. Entramos no táxi e seguimos viagem. E seguimos, e seguimos, e seguimos…

Foi dando 30 minutos, uma hora, uma hora e meia e nada de chegar na tal rodoviária! Começamos a achar estranho e foi batendo um desespero. Tentamos nos comunicar com o taxista, mas ele não nos entendia!

Vai visitar Myanmar? Não deixe de incluir Yangon a sua viagem – Saiba o que fazer em Yangon?

E pra piorar, o carro começou a dar problema e morrer no meio da rua. Morreu uma vez, duas, três. A angústia começou a bater e tudo o que queríamos era sair do carro! Tava com a mão na maçaneta pronta pra gritar e chamar a puliçaaa, mas a porta tava trancada e não abria.

Olhei com uma cara de desespero pras minhas amigas e começamos a juntar o dinheiro pra pagar e descer logo do carro quando, de repente, apareceu um homem berrando na janela. Pelo que deu pra entender, ele tava combinando um preço com o taxista. Preço de que, pelamordedeus?

Na hora eu pensei que ele estava nos vendendo! Socooooorro! Mas na verdade o taxista queria nos deixar naquele ponto que não era a rodoviária e o outro motorista iria nos deixar na rodoviária por um valor extra.

Não senhor! Depois de espernear e dizer ao nosso taxista que esse não havia sido o combinado, ele finalmente nos levou até a rodoviária. Chegamos super em cima na hora e quase perdemos o ônibus. Mas no final, tudo deu certo!

Imagino que esse episódio tenha sido super bizarro tanto pra gente quanto para o pobre do rapaz que não nos compreendia. Depois, quando tudo tinha passado, ficamos pensando na versão vivida por ele e rachamos de rir a cada lembrança.



Perdida em Inle Lake, Myanmar

Viajei com mais duas amigas, então fazíamos praticamente tudo juntas. No dia do passeio de bicicleta por Inle Lake (Myanmar) rolou um impasse pois uma das amigas não tinha muita prática com as duas rodas.

Inle Lake Bike Ride Myanmar
O passeio de bicicleta é algo tradicional em Inle Lake. É uma das formas mais interessantes de passar pelos vilarejos e conhecer a cidade.

Mesmo assim decidimos nos aventurar cidade a dentro. Eu e a amiga que sabia andar de bicicleta fomos pedalando na frente e a outra foi nos acompanhando de longe e mais lentamente.

Quer saber o que fazer em Inle Lake?

Tava indo tudo bem, fazíamos breve paradas para conferir se nossa amiga estava nos acompanhando e voltávamos para a estrada. Finalmente, eu e a amiga bicicleteira entramos no local de acesso ao Lago Inle e lá ficamos aguardando a terceira integrante do grupo. E nada. Quedê a amiga?

Ficamos desesperadas atrás da desgarrada. Será que ela voltou pro hostel? Será que está pedalando até agora? Será que sofreu um acidente?

Quando não aguentamos mais esperar, a solução foi pedir ajuda pros birmaneses. Explicamos a situação para um grupo de nativos que estava na entrada do Lago e perguntamos se eles haviam visto uma moça com uma bicicleta vermelha.

Em segundos, lá estava eu montando na garupa da lambreta de um dos birmaneses caçando a minha amiga pela estrada sem fim. E, de repente, avistei uma coisinha vermelha no canto da rua!

Nem acreditei em meus olhos quando vi a pobrecita vermelha igual à bicicleta e quase desfalecendo de cansaço. A danada, ao invés de entrar na rua que dava acesso ao Lago (onde nós entramos), seguiu pra sempre pela rua principal!

Depois do nosso reencontro cinematográfico, sedi meu lugar na lambreta pra ela e voltei pedalando a bicicleta vermelha.

Hoje em dia a gente ri dessa história, mas na hora foi desesperador… Ainda mais porque precisávamos pegar um ônibus noturno para Bagan em algumas horas!

Fica a lição: se for viajar em grupo, ande sempre junto ou, para quem prefere seguir um determinado ritmo, marque um ponto de encontro!



Pega ladrão!

Não fomos vítimas de furto/roubo em nenhum local, mas ouvimos de amigos viajantes algumas histórias bem desagradáveis, especialmente em Phnom Pehn, no Camboja.

Apesar de ser a casa de pessoas maravilhosas e sorridentes, na capital do país tem muitos furtos. Tome muito cuidado com bolsas, câmeras, ou qualquer item pendurado no corpo.

Os ladrões costumam passar de moto e puxar os pertences sem dó. Mercados noturnos também são lugares onde acontecem muitos furtos. Um dos viajantes do nosso hostel teve o dinheiro puxado de sua mão. Portanto, muita atenção no Camboja!

Em Myanmar não precisamos nos preocupar com nada e na Tailândia também foi tranquilo.


Esse aí foi o resumão dos perrengues durante a minha viagem de 1 mês pelo Sudeste Asiático.

Foram todos perrengues leves e sem nenhum acidente. Graças a dels ninguém caiu de moto (o que é super comum nas redondezas) ou sofreu algum acidente sério a ponto de acionar o seguro de viagem – detalhe obrigatório em qualquer viagem!

E, agora que tudo já passou, acredito que todas essas problemáticas acabaram tornando a viagem mais inesquecível ainda!

Qual foi o seu maior perrengue durante uma viagem? Contaí!




2 pensamentos em “Desventuras em série: Os perrengues de uma viagem pelo Sudeste Asiático”

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